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AS CRIANÇAS E O ESPERANTO

 

por AFFONSO SOARES

          Quem poderia prever os efeitos benéficos que resultariam da iniciação das crianças   no ideal esperantista, desde os primeiros anos escolares? Tal semeadura traria conseqüências de ordem moral tão profundas que a paz entre os homens de todas as nações, religiões e raças perderia seu caráter de utopia para desenhar-se no horizonte da Humanidade como ridente esperança.

          Sendo a alma infantil intensamente suscetível à influência dos que Ihe guiam os primeiros passos na vida, uma semeadura dessa natureza estaria fadada naturalmente ao êxito de generosas colheitas, pois a concretização dos ideais e sentimentos esperantistas, inoculados pelos mestres, estaria garantida pelo próprio uso do idioma, instrumento genial que aproximaria as crianças de todo o Planeta através das vias mágicas de um intercâmbio fácil, neutro, incontestavelmente justo e confraternizador. Uma brecha irreversível se abriria na sinistra fortaleza onde se aninham os ódios cevados nas aparentes diferenças que separam os homens. Cedo, o Espírito que retornasse aos cenários do mundo para as nobres lutes pelo progresso compreenderia que por sobre os rótulos, respeitáveis aliás, com que nos movimentamos na vida, paira a soberana verdade de nossa essência comum, de nossa humanidade irreconciliável com qualquer divisão, qualquer diferença, a não ser a natural gradação que nasce dos níveis de progresso moral.

          É certo que, um dia. ingressaremos em tal estágio pacífico de evolução social e moral. A atualidade, porém, com os desequilíbrios que tão duramente a fustigam, só verá os esforços dos pioneiro das almas ávidas de progresso as quais se comprometeram com o Divino Mestre para o serviço redentor da preparação dos caminhos.

          Aqui e ali, disseminados pelo Orbe, vêem-se os árduos e comovente esforços dos idealista, no afã de lançar as sementes de luz no solo ainda árido dos corações humanos. Os esperantistas arremetem contra as cidadelas do egoísmo entre os povos, culturas, raças e nações, num esforço superior a suas forças material e morais, suportando o sarcasmo dos que se acomodam na inércia do imediatismo, mas, à semelhança do rei-poeta, o fervoroso David, empunham a funda da fé na vitória do Ideal, lutando com a certeza de que, cedo ou tarde, ferirão mortalmente o Golias da guerra, da autarquia, do exclusivismo, do ódio que infelicita a vida no planeta.

          Os espiritas não desconhecem a potencialidade do instrumento lingüístico que há quase cem anos prestigiam, cultivam e divulgam, e, animados pelo fervor com que se entregam às tarefas que lhes cabem na Seara do Divino Mestre, buscam atrair a infância e a juventude para o Esperanto e seus ideais. Encorajam-nos, de quando em quando, os obreiros desencarnados através de fraternal exortações como as que abaixo transcrevemos, transmitidas pelo Espirito Ismael Gomes Braga, o grande pioneiro esperantista, à médium Maria Cecília Paiva:

          "(...) E ai está o Esperanto, como bênção do Senhor, para uma confraternização mundial, onde deverão ser traçadas metas sublimes, roteiros formosos para a inteligência, no futuro.

          No amor do Mestre, os homens falarão a lingua universal, combinarão os mesmos temas, simplificarão os entendimentos e facilitarão o desenvolvimento comercial na fraternidade legitima.

          Assim, torna-se necessário intensificar, mais e mais, o estudo do Esperanto--a esperança do mundo para a conquista da paz.

          Aproximemo-nos dos jovens, estimulando-os ao estudo da lingua sublime, falemos às crianças da Boa Nova da redenção, na palavra da edificação universal, confortemos nossos irmãos, levando-lhes a paz do Cristo na voz do Esperanto, para que o mundo atravesse o final de um século, não em transes de cores e abortando a própria injúria, mas dominado pelo ensejo da união divina de todos os clorações." (REFORMADOR -- outubro/ 77).

          "(...) Lutamos por transmitir aos jovens, às crianças e aos adultos de sodas as terras a palavra sábia de nosso grande mestre do Esperanto, por sabermos da imensa luz de que é portadora a lingua universal.

          Nossos jovens aprendem mil ensinamentos nas escolas terrestres. O Esperanto será um grande cooperador desses ensinos, na boa orientação à mocidade brasileira, preparando-a para os grandes eventos do Terceiro Milênio.

          Urge, então, intensificarmos sempre mais entre nós, entre os jovens, nos lares, em toda a parte, a divulgação do Esperanto, a primeira maravilha do Terceiro Milênio! E, assim fazendo, estaremos servindo nosso Mestre e Senhor, iluminando-nos e clarificando o mundo, pois Espiritismo, Evangelho e Esperanto formam a base única e indivisível do magnifico mundo de amanhã!" (Do livro "Garimpeiros do Além'', edição do Instituto Maria, de Juiz de Fora-MG.)

          Nossos companheiros da FEB-Basília mantêm em funcionamento um curve de Esperanto para as crianças, o qual, embora não se vincule oficialmente às atividades da evangelização infanto-juvenil, é todavia, na prática, um seu desdobramento.

          Ai temos uma semeadura que muito contribuirá para a consolidação dos princípios do Espiritismo evangélico na alma infantil, por defendê-la contra as nocivas sugestões do sectarismo, preparando-a para o exercício da fraternidade acima de quaisquer fronteiras.

          Os mentores da evangelização espirita infanto-juvenil fariam obra utilíssima se incorporassem o tema aos correspondentes currículos. Bastaria apenas a iniciação à idéia de uma lingua internacional neutra para a Humanidade, apontando para o Esperanto como a única solução justa e racional de um dos grandes entraves ao progresso geral que é o problema da diversidade lingüística. Dentro desse espirito, os cursos de evangelização se limitariam apenas a uma tal iniciação, sem cuidar do ensino do idioma. Esta parte caberia aos cursos da lingua, promovidos pelos Centros Espiritas ou pelas Instituições neutras do movimento esperantista, os quais não teriam nenhum caráter de obrigatoriedade para o evangelizando, sendo, portanto, disciplina facultativa, critério de que, aliás, temos sugestivo exemplo naquela Cidade Universitária a que se refere a obra "Memórias de um Suicida", ditada pelo Espirito Camilo Castelo Branco à médium Yvonne do Amaral Pereira.

          Aguardemos a evolução dos acontecimentos, confiando sempre na superior inspiração do Alto.

( artigo da revista Reformador nº 1991,  fevereiro, 1995 )

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